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sábado, 4 de dezembro de 2010

BORDER FANCY - SUA EVOLUÇÃO NOS ÚLTIMOS 100 ANOS

Alceu Henrique Pornancim
Geólogo Ambiental
Criador de Borders desde 1997 pela SPCO/Curitiba
Revista SPCO 2002
Arquivo Editado em 20/09/2004


      Este trabalho é o resultado de pesquisa na World Wide Web, em sites e forums abertos da Inglaterra, Austrália e Estados Unidos, durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 2002. Seu objetivo é fornecer algumas informações a  mais a todos os simpatizantes desta maravilhosa raça de canários.
      
       O INÍCIO DE TUDO ...
       A origem do Border Fancy é controversa havendo relatos de  que ele evoluiu do canário "comum", criado na região de fronteira (border) da Inglaterra com a Escócia desde 1700. Outros afirmavam que um "bom Border" era praticamente uma miniatura do canário Yorkshire, obtido do cruzamento entre Norwich e Yorkshire. Então em 1889 na localidade de Langholm criadores da região reuniram-se e definiram o nome e o Standard (padrão) da raça. No ano seguinte em 5 de junho no condado de Cumberland foi fundado o Border Fancy Canary Club (BFCC) e o Border tornou-se a mais popular raça de canário criado na Grã Bretanha, surgindo em seguida outros clubes especializados na raça, tais como o Southern e o Weish Border Fancy Clubs. O Padrão Ideal baseava-se principalmente em: - não exceder 11,8 centímetros de comprimento; 
-posicionar-se no poleiro formando um ângulo de 60 graus com a horizontal; - apresentar cabeça e peito suavemente arredondados;
-e mostrar uma forma compacta e vivacidade no seu comportamento.
    A variedade ficou então conhecida como a "Pequena Jóia" devido ao seu tamanho e desenvoltura. Era um canário muito fértil e de fácil procriação, com média de postura de 4 a 5 ovos por ninho e as fêmeas eram excelentes mães. As cores eram:
- amarelo intenso e nevado (claros, pintados e variados);
- verde;
- canela;
- branco;
- azul.
    Em 1920 cruzamentos selecionados do Border com o canário Crested roller originaram o canário Gloster, hoje tão popular e apreciado. Infelizmente, vinte anos depois a Segunda Guerra Mundial iria castigar a Europa, incluindo a Inglaterra, afetando toda a canaricultura, restando apenas poucos Borders de qualidade fazendo com que os criadores utilizassem outras raças, mas principalmente os Norwich de tamanho menor em cruzamentos que resultaram pássaros maiores e por seleção produziram Borders de cabeças grandes e arredondadas, mas fora do Padrão Oficial e que gradativamente começaram a ganhar simpatia entre importantes criadores ingleses, conseguindo então premiações cada vez mais significativas nas exposições e concursos, fato este devido principalmente à influência destes abastados e prestigiados criadores junto aos juizes de porte nos julgamentos.  
   Em contrapartida os criadores insatisfeitos e fiéis ao "Border Clássico" recriaram o antigo Border e, em 1957 surgiu oficialmente o canário Fife Fancy.
   Com a introdução em 1984 pêlos ingleses de modificações no Padrão Oficial do Border passou-se a admitir pássaros de 14 até 15,5 centímetros, comprimento este também em vigor na Confederação Ornitológica Mundial - Hemisfério Sul. Na Austrália (principalmente em Vitória e sul do país) o comprimento ideal é 15,2 centímetros, mas variações neste valor são aceitas desde que o tipo e a qualidade do Border se mantenham, não esquecendo que são aceitos e julgados Borders com fator vermelho em seus concursos, além das cores tradicionais. Já na costa leste australiana o Border parece-se muito com a antiga "Pequena Jóia" de tempos atrás. Nos Estados Unidos o padrão também apresenta algumas variações pequenas e através do cruzamento 2/3 de canário Roller (canto belo e suave) com 1/3 de Border (canto alto e agitado) os americanos criaram o canário American Singer, que possui um canto variado e volume perfeito. Finalmente, na Nova Zelândia o padrão e tamanho para o Border ainda são os mesmos da década de sessenta.
 
A TENDÊNCIA AO NOVO MODELO INGLÊS

    Nos últimos anos a maior polemica a respeito do padrão, forma e tamanho do Border vem, logicamente, da própria Inglaterra. O país de origem de toda raça de porte é o que impõe qualquer mudança nas pontuações correspondentes ao Standard da raça, o que então é reconhecido pela Confederação Ornitológica Mundial (C.O.M.), devendo então ser cumprido obrigatoriamente por todos os países membros, evitando que tenhamos um padrão diferente em cada país. Inicialmente quando se aconselha a adoção de um novo padrão para uma determinada raça de canário, os clubes especializados convocam seus criadores e juizes de reputação incontestável para uma Convenção que toma as decisões através de votação. Nestas reuniões todas as proposições de mudança são objeto de minucioso estudo e se finalmente o modelo proposto é aprovado, outorga-se a ele uma escala de pontos e a partir deste momento será o objetivo a seguir para criadores e juizes sem exceção.
    Após a última Convenção do Border em 1987 um grupo de criadores ingleses influentes, muitos deles detentores de grande poder financeiro têm obtido cada vez mais premiações nos concursos com Borders cada vez maiores, mais pesados e poderíamos dizer, até desajeitados, se comparados ao Border Clássico. Seus pássaros chegam quase a 18 cm. de comprimento e bons exemplares custam em torno de 1000 libras Esterlinas. É fato que os juizes de porte premiam estes corpulentos Borders praticamente ignorando o Padrão Oficial da raça ainda em vigor e também é fato que muitos deles fazem parte deste grupo de criadores. O sucesso destes pássaros nos concursos tem levado, inclusive, a C.O.M. a decidir que é mais prático induzir a procedimentos e modificações que definam um novo modelo pictorial para o canário Border, provavelmente em uma atitude que principalmente agrade à comunidade dos juizes, da qual ela é totalmente dependente, confirmando a autoridade e competência destes mesmos juizes na conclusão de que o Border no últimos 15 anos "evoluiu", aumentou de tamanho, mudou sua forma e disposição para "melhor", segundo eles, então nada mais resta senão oficializar tais mudanças.
    Logicamente devemos também destacar que tecnicamente os Borders ingleses são considerados os melhores (além dos mais caros) do mundo devido a vários anos de seleção e aperfeiçoamento em detalhes específicos. O trabalho criterioso desenvolvido pêlos criadores para obter pernas dimensionadas e largas o suficiente para chegar ao desejado ângulo de 60 graus levou vários anos e foi associado com a dimensão da cauda, que nunca poderia estar "caída", mas sim em uma posição mais horizontal. Para o corpo procurou-se manter a forma de "ovo", vista de qualquer ângulo, o que é basicamente devido à presença de espáduas bem arredondadas e nunca estreitas. Já a cabeça perfeitamente redonda do Border Ideal é o ponto de mais difícil obtenção e o mais valorizado, pois outros defeitos como plumagem solta, asas ou cauda longas podem ser corrigidos em algumas gerações, mas uma cabeça relativamente achatada, abaulada ou estreita em um Border, praticamente não tem solução segundo muitos criadores.
    A prática de cruzar intenso com intenso e mesmo a introdução do fator vermelho prejudicam em muito o volume e o arredondamento da cabeça do Border. A cor e a plumagem destes Borders ingleses também merecem destaque, inclusive é "moda" nas exposições o Amarelo Border, obtido somente por alimentação natural, visto que a coloração artificial lá é proibida. A plumagem deve ser vaporosa, fina e aderente e geralmente os exemplares mais arredondados possuem a plumagem fina, curta e lisa. Como fato negativo devemos ressaltar que a fertilidade tem diminuído devido à pouca atenção com a qualidade de reprodução e à consangüinidade  excessiva na busca de fixar qualidades como plumagem, posição e forma, a ponto de já estar ganhando a reputação de um pássaro "difícil de criar" com média abaixo de 5 filhotes por fêmea em cada temporada. Inclusive a cada ano aumenta o uso de ama-secas e os melhores criadores da raça geralmente ficam com apenas 10 por  cento das fêmeas adultas para o plantei de criação. O desenho abaixo expressa a mais nova tendência para mais algumas mudanças na raça e foi projetado para o Border do novo milênio por Phil Warne, um dos criadores de melhor reputação na Inglaterra.
   Alguns consideram-no muito progressista, mas a maioria dos criadores tem encontrado elementos muito positivos, considerando esta versão como um novo desafio para o criador moderno do Border.
O que chama mais a atenção é a beleza da cabeça mais alta e  arredondada, seguida de uma nuca profunda passando pelas costas que são bem arredondadas e abauladas. Uma bela curvatura passa da garganta pelo peito e termina na base da  cauda, dando uma qualidade majestosa a este moderno Border. A inclinação perfeita da cauda completa este modelo e o conjunto nos leva a uma perfeita elegância provocada por suas patas largas e uma posição ereta e orgulhosa. O autor não faz menção ao comprimento ideal do pássaro para este desenho. E FINALMENTE ... ... do outro lado restam somente duas coisas: primeiramente a lembrança do Border Clássico que foi único em transmitir um equilíbrio de cores, formas e beleza num mesmo pássaro a ponto de ser comparado, quarenta anos atrás, a um pássaro selvagem em termos de qualidade de plumagem e forma. Também fica o descontentamento e a decepção daqueles criadores amantes e fiéis à "Pequena Jóia" como era chamado inicialmente e que ainda mantinham a esperança de vê-lo ressurgir cheio de vivacidade, beleza e leveza, no papel de artista principal deste filme chamado: Border- Se o Primeiro é o Melhor, porque Mudar ?

O BORDER  DO NOVO MILÉNIO

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