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sábado, 4 de dezembro de 2010

A Raça Bernois

Revista Brasil Ornitológico Nro 43
Arquivo editado em 07/09/2002
  

     Pela primeira vez, em um Campeonato Brasileiro, foram apresentados, em Florianópolis, canários da raça Suíça, denominados "Bernois".  Esta raça, de origem obscura, surgiu no final do século XIX, segundo WALKER.  
    À um senhor Wyss, de um subúrbio de Berna, é atribuída sua criação. Segundo consta, originou-se da mestiçagem entre o Yorkshire da época (1870) com canários que existiam na região. Há possibilidade que o velho canário Holandês possa ter sido utilizado.
    Pouco se falou da raça até 1910, quando os primeiros foram apresentados em uma exposição em Berna. Logo uma associação foi formada para promover a raça e estabelecer um padrão que é, praticamente, o mesmo utilizado nos dias de hoje.
    Os criadores atuais alegam que a raça é difícil de criar, que os problemas que existem com as raças de maior tamanho são também comuns. A maior dificuldade segundo consta, é a relutância das fêmeas em alimentar seus filhotes.
   São admitidos nos concursos em classes separadas os intensos e nevados, tanto nas formas lipocrômica, como melânica ou pintada. Não são permitidos os colorantes artificiais.
   Um Bernois de qualidade se posiciona bem ereto, tendo entre 16,0 e 17,5 centímetros de comprimento. A cabeça necessita estar ereta. É relativamente curta, com o topo quase plano, formando com a nuca um ãngulo de quase 90 graus.
  Uma cabeça semelhante a do excepcional tenista andré Agassi, é perfeitamente a forma qiue deve ter o Bernois ideal. O pescoço é perfeitamente definido mas não é longo. O peito deve ser amplo, afunilado em direção às pernas. As costas devem ser longas e ligeiramente abauladas. As asas devem ser longas, bem assentadas, não se cruzando e a junção das asas ao corpo deve ser claramente visível e não escondidas por penas do pescoço ou do peito. A cauda é proporcionalmente longa. As pernas com as coxas visíveis e emplumadas canelas longas, ficam colocadas quase na vertical. A plumagem deve ser compacta.
Poucos exemplares aparecem em exposições fora do pais de origem, com a exceção dos campeonatos mundiais, mas está crescendo sua presença em vários países europeus.

O Bernois no Brasil

    Por volta de 1980, num lote de pássaros importados, havia dois que poucos criadores brasileiros tinham, visto.
Fui vê-los na casa do José do Egypto e identifiquei-os tão logo botei os olhos neles.
O macho nevado apresentava praticamente todas as características da raça, inclusive excelente posição no poleiro. A cabeça de acordo com o padrão, o encontro das asas bem destacado e o tamanho compatível. A fêmea intensa, deixava à desejar em alguns aspectos, mas a cabeça e o encontro das asas não deixavem qualquer dúvida quanto a raça. Segundo me lembro, os pássaros foram adquiridos na casa do José pelo "cometa" Abraão Abressor e acabaram desaparecendo.
   De lá para cá nada havia surgido em exposições, apesar de alguns criadores terem tentado importar e outros construir a raça com mestiçagem.
   Em Florianópolis, no ano passado, foram apresentados alguns que jã haviam sido considerados como pertencentes à raça nos clubes onde concorreram.  Eram seis canários, mas um deles não apresentava o mínimo de características desejáveis. Os outros cinco foram classificados: 3 intensos e 2 nevados.
    Os dois vo Vanderlei oriundos de importados, como suponho que seja o do Bartoli. Os dois do Ramalho sé feitos em casa, o que vim a saber após julgá-los.
    Não sendo pássaros excepcionais, apresentavam as características que os distinguem das outras raças de canários de porte semelhantes, com a deficiência comum do posicionamento elevado, culpa dos criadores que, como todos os brasileiros, não treinaram seus canários para apresentação em concurso.
    O treinamento não é complicado, só demanda tempo. Um cartão colocado entre duas gaiolas que obrigue o pássaro a se esticar para observar o que se passa ao lado; a verdura colocada no alto, afastada do poleiro e uma gaiola com um poleiro central mais elevado resolvem satisfatoriamente o problema, tudo isto associado à um passar de uma vareta nas grades quando o pássaro estiver em posição. O condicionamento pode ser conseguido em poucos meses.
   Conversando com o Vanderlei, vim saber que os criadores que cederam os pássaros a ele, ficaram encantados com a fotografia publicada em nosso manual de julgamento mas ela é de um campeão mundial.
    O juiz que fez o comentário sobre o pássaro, fez restrição apenas à posição. Mas convenhamos, fotografar pássaros, principalmente em gaiolas especiais e em posição de concurso, é tarefa nem sempre bem sucedida, mesmo para os grandes mestres como Dennis Avon.
    Quando aos pássaros do Ramalho sé, não sei como foram conseguidos, mas seu trabalho é digno de elogio.
    Precisa agora como juiz, escrever um trabalho sobre o que foi feito para difundir e possibilitar à outros que tendem o que conseguiu com sucesso.

Conclusão

 

   Como bem disse o Vanderrlei, já podemos dizer que no Brasil já existem canários da raça Bernois. Cabe aos criadores que conseguiram estes pássaros, manter sua presença nos concursos, o que não será tarefa fácil, pois, face a quase impossibilidade de importação e de conseguir pássaros da raça, mesmo na Europa, desenvolver como o Ramalho Sé os Bernois "Made in Brasil", é uma boa solução.


José Luís de Castro Silva


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